O misterioso caso do navio Mary Celeste
Mary Celeste era um navio a velas de dois mastros que foi
construído no Canadá em 1961, incialmente com o nome de Amazon. Em 1968 foi
transferido para um novo dono americano que mudou de nome para Mary Celeste.
Ele navegou sem incidentes pelos próximos anos até a fatídica viajem de 1872.
A viajem
Em 1872 o capitão Benjamin Briggs que havia se tornado
socio no navio assumiu o comando do Mary Celeste, que havia passado por uma
extensa reforma, e aquela seria sua viajem inaugural. O capitão Briggs também
levou para a viajem sua esposa e sua filha pequena. A tripulação foi escolhida
a dedo por Briggs, com alguns já tendo navegado com ele. A carga do navio era
composta por barris de álcool. Outro navio do mesmo tipo, o Dei Gratia, também
estava ancorado no porto esperando sua carga de petróleo e partiria alguns dias
depois para o mesmo destino. Em 5 de novembro o dia marcado para partir o tempo
não estava bom então Briggs esperou, e dois dias depois o navio enfim partia do
porto de Nova York rumo a Genova da Itália. Se passaram então 8 dias e o Dei
Gratia também partiu e seguindo o mesmo caminho. No dia 4 de dezembro, o Dei
Gratia chegou a meio caminho entre os Açores e a costa de Portugal e o capitão
foi chamado pelo timoneiro, pois um navio vinha em sua direção e se comportava
de maneira estranha. O capitão do Dei Gratia então suspeitou de algo errado com
aquele navio, e a suspeita aumentou mais quando perceberam que não era possível
ver ninguém no convés, e que ninguém respondia aos sinais enviados. O capitão
então enviou dois homens em um bote para verificar e eles descobriram que se
tratava do Mary Celeste. Eles então subiram a bordo e acharam o navio
totalmente abandonado, não havia ninguém por lá. As velas estavam parcialmente
içadas e em mau estado com alguns componentes faltando. Haviam também mais
alguns danos, e o bote salva vidas estava faltando. O porão tinha água
considerável, mas não chegava a ser algo preocupante para um navio daquele
porte. Eles então encontraram o diário de bordo do navio na cabine do imediato.
Ele datava de 9 dias antes, e apontava que o navio naquele momento estava a 740
quilômetros longe dali. Na cabine do capitão Briggs eles encontraram objetos
pessoais espalhados, incluindo uma espada embainhada debaixo da cama, mas a
maioria dos documentos do navio tinha desaparecido, juntamente com os
instrumentos de navegação do capitão. A cozinha estava em ordem, mas não havia
comida preparada nem em preparação, porem amplas provisões foram achadas nos
depósitos. A carga estava intacta, ou seja, não havia ocorrido roubo. Também não
havia sinais óbvios de incêndio ou violência, as provas indicavam uma partida
ordenada do navio através do bote salva-vidas desaparecido. O capitão do Dei
Gratia decidiu então levar o navio abandonado para Gilbraltar dividindo a
tripulação entre os dois para então requisitar a lei do salvamento marítimo.
Investigação sobre o incidente
Em Gilbraltar se iniciaram as audiências de salvamento
sobre o navio e a investigação sobre o que havia acontecido. Depois de ouvir o
testemunho dos homens que estiveram no Mary Celeste o procurador geral de
Gilbraltar chegou à conclusão de que um crime havia sido cometido.
Investigações no navio não encontraram vestígios de incidentes naturais, mas
sim de algo que parecia ser provocado por humanos, como cortes em madeiras e
vestígios que pareciam sangue. A conclusão do procurador foi que os tripulantes
do Mary Celeste embriagados assassinaram o capitão e sua família e depois
fugiram do barco. Ele também suspeitava da tripulação do Dei Gratia, porque não
acreditava que o navio tinha navegado por um longo trajeto sozinho, como o
diário do imediato sugeria. James Winchester, o socio de Briggs no navio chegou
a Gilbraltar para leva-lo, mas o procurador suspeitava dele também. Mas logo
toda a história tomou outro rumo, porque analises descobriram que não era de
fato sangue o encontrado no navio e outros técnicos que o inspecionaram,
avaliaram que as marcas eram sim de incidentes naturais. No fim o navio foi
liberado para concluir sua viajem e entregar a carga em Genova. A tripulação do
Dei Gratia recebeu uma indenização bem menor do que o esperado por eles. No
entanto o mistério persistia, o que ouve com a tripulação?
Teorias e tentativas de explicação
Além da teoria inicial de conspiração levantada pelo
procurador de Gilbraltar, muitas outras tentativas foram surgindo depois. Como
a de um golpe combinado por Briggs junto do capitão do Dei Gratia, mas isso foi
refutado rapidamente por falta de provas. Outra teoria era de que o Mary
Celeste foi atacado por piratas, mas muitos pertences valiosos haviam sido
deixados no navio, e por tanto não faria sentido. Outras explicações incluem, possível
aparecimento de um iceberg deslocado, mas é improvável naquele ponto do oceano.
Outra teoria foi que Briggs estava encalhado por falta de ventos, mas se isso
fosse verdade todas as velas estariam içadas para aproveitar qualquer brisa, e
esse não era o caso, com a maioria das velas recolhidas. Outra hipótese muito
forte era que a tripulação abandonou o barco, indo para o bote salva vidas
rapidamente devido a uma explosão no porão do navio. Segundo essa teoria, é
normal acontecer em cargas de álcool pequenas explosões. Existe ainda o relato
do diário de bordo que mencionava estrondos sinistros e pequenas explosões
vindas do porão. Mas essa teoria foi enfraquecida pela falta de danos maiores a
o navio e a carga. Também existiram outras teorias mais extraordinárias, como
de que o navio encontrou um polvo gigante, ou de que foram abduzidos por
alienígenas. No final das contas a história do Mary Celeste segue sem uma
reposta definitiva, já que nem um dos membros da tripulação foi encontrado e
nunca nem uma das teorias conseguiu ser provada. Por tanto o mistério continua, o que ouve com a tripulação do navio naquele dia?




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