A breve República de Biafra

                                           


A República de Biafra foi estado separatista no sudeste da Nigéria que declarou independência devido a tensões étnicas e econômicas, resultando na sangrenta Guerra Civil Nigeriana. A nação, rica em petróleo, foi reconhecida por poucos países e sofreu uma grave crise humanitária. O nome Biafra já era mencionado em mapas desde o século 15, em alguns locais diferentes, como as margens do rio camarões, e foi adotado como nome da nova nação em seu surgimento.

O contexto  

Tudo começou em 1960 com a independência nigeriana do Reino Unido, e que assim como outros países tinha suas fronteiras desenhas sem levar em conta questões étnicas, culturais e religiosas. Enquanto no Norte os mulçumanos eram predominantes, no Sul a maioria era cristã. Depois da independência, a Nigéria foi demarcada principalmente segundo linhas étnicas: uma maioria hauçá e fulani no Norte, uma maioria iorubá no Oeste e uma maioria igbo no Leste. Porem muito antes disso conflitos étnicos já haviam acontecido com os hauçá e fulani, de maioria mulçumana, atacando os igbos de maioria cristã, com muitos igbos perdendo a vida durante esses ataques. Em 1964, depois de acusações de fraudes nas eleições o caos começa a se espalhar pelo país. Enquanto o Norte controlava o governo central, e esse era considerado altamente corrupto as outras regiões se viam excluídas e roubadas. Diante da situação, forças do exército de origem igbo tentaram um golpe, matando vários membros do alto escalão nigeriano de origem do norte. Um contra golpe logo foi lançado pelas forças do norte, retomando o poder e iniciando um massacre de civis igbos. Em 1967 depois de uma reunião com líderes das regiões do país, ouve um acordo por maior autonomia para cada um, mas o norte foi contra. Logo o governo central controlado pelo norte declarou a criação de novos estados com a intenção de enfraquecer os líderes regionais, dividindo territórios e com a intenção de colocar lideres leais para governar essas áreas.

República de Biafra



Diante dessa situação o líder da região leste chamado Chukwuemeka Ojukwu, declarou a independência da república de Biafra. Além do descontentamento com a ultimas decisões do governo ainda existia os massacres realizados contra o igbo. Mas Biafra estava em grande desvantagem em relação a seu exército, com armas e equipamento inferiores a os nigerianos. Sua única vantagem era lutar em seu território e o amplo apoio da população a causa. A resposta da Nigeria foi um ataque contra Biafra, mas eles foram derrotados e repelidos. Como resposta Biafra atacou áreas no centro oeste do país criando a republica do Benin, que não duraria muito tempo. Mas a situação era grave para Biafra, já que a Nigeria tinha apoio do, Reino Unido e União Soviética, enquanto Estados Unidos se manteve neutro o que também favoreceu a Nigeria. Depois de recuperar os territórios da republica de Benin, a Nigeria tentou um ataque contra Biafra chamando de ataque final, mas novamente fracassou. Mas a Nigeria impôs um feroz bloqueio a os biafrenses que tinham dificuldades em conseguir alimentos. Milhares de civis perdiam as vidas todos os dias em meio à os combates e a fome, sendo que no final o numero foi de mais de 2 milhões. Finalmente a Nigeria conseguiu romper a resistência e avançar sobre o território e Biafra em 1970. Diante da situação desfavorável o presidente fugiu para Costa do Marfim, enquanto o novo presidente interino negociou uma rendição da republica de Biafra. Durante sua existência o sistema de governo foi uma republica unitária administrada sob medidas de emergência. Era composta por um poder executivo liderado pelo presidente biafrense e pelo Gabinete Biafrense, juntamente com um poder judicial que incluía o Ministério da Justiça, o Supremo Tribunal de Biafra e outros tribunais subordinados. Teve como capitais Enugu(1967), Umuahia(1967–1969), Owerri (1969–1970) e sua última capital foi Awka (1970). Biafra foi formalmente reconhecida pelo Gabão, Haiti, Costa do Marfim, Tanzânia e Zâmbia, com alguns outros países tendo um reconhecimento não oficial, e alguns poucos mandando pouco ajuda militar.

Consequências

Biafra recebeu ajuda humanitária durante a guerra, mas o bloqueio do país acabou matando milhares de fome. Não só isso, como os militares nigerianos assassinaram muitos civis e até mesmo membros da ajuda humanitária que tentavam salvar a vida dos civis biafrenses. Milhares de crianças perderam a vida ou de fome ou mortas pelas forças nigerianas. As consequências para esse povo os seguiriam pelas próximas décadas. Além disso como resultado, os igbos continuaram a ser perseguidos perdendo suas propriedades na região, tendo bens confiscados e dinheiro retido mesmo de que estada em outros lugares. A região também passou a receber menos investimentos e foi sucateada.

Nacionalismo biafrense

A partir de 1999 nasce um grupo de nacionalistas biafrenses não violentos associados a os igbo, e contando com dois braços de governo: o Governo de Biafra no Exílio e o Governo Sombra de Biafra. O grupo acusa a Nigeria de marginalizar o povo biafrense e perseguir certas etnias e religiões. Muitos protestos pacíficos acontecerem, mas a resposta da polícia foi dura com muitos presos e mortos. O líder do movimento nacionalista já foi preso e solto diversas vezes. Em 16 de junho de 2012, foi formado um Conselho Supremo de Anciões do Povo Indígena de Biafra, outra organização pró-Biafra com o objetivo de conseguiram o direito à autodeterminação de seu povo. O movimento nacionalista também lançou a rádio Biafra a partir da Inglaterra, com a Nigeria tentando de todas as formas reprimir sua transmissão. Entre 2015 e 2016 as forças nigerianas mataram quase 200 pessoas em mais rodadas de repressão contra os movimentos biafrenses, muitas que apenas realizavam protestos pacíficos, ou até em comemorações pela história de Biafra. Além dos citados existem outros grupos pró restauração do Biafra, e de fato o sentimento do povo biafrense pela independência e melhores condições de vida segue vivo até os dias de hoje com eles ainda lutando de todas as formas que podem.

Comentários

Mensagens populares